Entrevista com Vinicius Roveda, fundador e CEO da ContaAzul – Parte 3

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Hoje em dia, não é mais tão difícil para um empreendedor iniciante buscar as ferramentas necessárias para o desenvolvimento do seu negócio. E o caminho pode ser ainda mais fácil aprendendo por quem já o percorreu.

A seguir, leia a última parte da entrevista que a BVC fez com Vinicius Roveda, fundador da ContaAzul.

 

De volta ao Brasil nos braços dos investidores

A área de captação era um mundo estranho para mim antes do programa de aceleração da 500 Startups. Nunca havia falado com um fundo de venture capital até então, mas, no Brasil, a maior parte dos investidores americanos com os quais falamos tomaram a iniciativa de nos procurar. Não acredito em sorte, acho que basta estar preparado no momento certo. E nós estávamos preparados no momento em que o Cristo Redentor estampava a capa da Economist subindo como um foguete. O Brasil estava bombando!

Fomos para o Vale do Silício em outubro. Em dezembro, fechamos uma rodada de investimento semente (seed). Voltamos ao Brasil em fevereiro de 2012 e começamos a construir o time por aqui. Chegamos em dezembro com uma expansão de quase 300%. Mas ainda com muito trabalho em cima do produto. No último trimestre daquele ano, fechamos outra rodada de investimento Series A. Dali a um ano, faríamos uma rodada Series B e, em dois, uma Series C. Com esse último aporte, o fundo norte-americano Tiger Global Management passou a fazer parte dos nossos acionistas. Já dividíamos participação com Ribbit Capital, 500 Startups, Monashees e Valar Ventures.

De 2013 em diante, mais capitalizado, colocando lenha do marketing, com uma equipe mais bem preparada, a gente começou a ganhar escala.

 

O desafio da vez

Agora, a gente vive um momento diferente. A ContaAzul ainda está muito próxima dos 100% de crescimento anual, mesmo no sexto ano de operação. Nesse ponto, o meu maior desafio é garantir que a visão da empresa esteja muito bem alinhada com todo o time, que a cultura da empresa esteja sendo assimilada e executada. Trabalhamos o tempo todo muito forte para estruturar um time de executivos. O diretor de Operações da ContaAzul veio do Google; o de Produtos, da Localweb; o diretor de Marketing, do Mercado Livre e Viva Real;

Montar a nossa equipe – 250 pessoas em 5 anos – foi uma das coisas mais difíceis de fazer. Como garantir que novos funcionários estejam alinhados aos valores da empresa? Como você gerencia a ambição das pessoas que já estão na empresa ao trazer gente de fora? Isso pode gerar frustrações. Temos na empresa não aquele RH tradicional, mas algo mais estratégico, nos destacamos nessa área no Brasil.

 

IPO está nos planos

A ContaAzul pretende ultrapassar a marca de 100 milhões de reais faturamento dentro de um ano e pouco. A empresa ainda deve passar por pelo menos mais uma rodada privada de investimento antes de um possível IPO. Estamos nos preparando para daqui a 3 ou 5 anos, talvez, dar esse passo. Não depende só da gente, obviamente. Mas queremos deixar a empresa desde já em condições de aproveitar uma eventual janela no mercado. Já a operamos como se estivesse com o capital aberto.

O CFO que está na ContaAzul desde o ano passado veio justamente por ter experiência em abertura de capital. É uma ambição. Temos que pensar nas formas de negócio.

 

Ecossistema de startups no Brasil

O ecossistema de negócios mudou muito no país nos últimos 5 anos. 2018, talvez, seja o ano mais importante para o mercado interno de tecnologia de toda a história. Estamos vendo a chinesa Didi Chixing assumindo o controle da 99, o IPO do PagSeguro em Nova York. O Brasil começou a sair um pouco dessa coisa de empreendedorismo de palco, de muita gente falando e poucos fazendo coisas legais de verdade. As barreiras se quebraram, você tem acesso a muito conteúdo, a informação de todas as universidades do mundo. Hoje, eu posso ligar para os CEOs de empresas a frente da ContaAzul no mercado para trocar uma ideia, saber o que eles estão lendo, trocar experiências. Todo esse ecossistema não existia em 2011. Tem muita a dificuldade aqui no Brasil? Tem, mas é o melhor país para se empreender. Olha só quanta coisa tem aqui para ser resolvida, tem muita oportunidade de negócio por causa disso.

 

Mensagem para empreendedores brasileiros

Buscar entender muito bem o seu mercado é a primeira providência a ser tomada antes de pensar no modelo de negócio. Se eu fosse começar do zero hoje, a primeira coisa que eu faria é isso. Ter a noção de que as coisas não acontecem da noite para o dia é importante. Não é fácil. Não é simples. Então, quanto mais você tiver conexão com o seu propósito, com o que você acredita, com o contexto em que está inserido, mais aumentam as suas chances de ter sucesso. As dificuldades vão aparecer, serão muitas.

Um outro aspecto importante é o seu time. É importante ter do seu lado pessoas que te ajudam, te inspiram e compartilham com você o desejo de empreender. O início de um negócio é conturbado. Com um time interessado também será aquele que vai compartilhar com você o fardo.

Por último, mas não menos importante, escolha um problema real para ser resolvido. O mercado brasileiro é enorme, e, como falei no início, cheio de problemas. Sirva-se!

 

Ideias-chave:

  • “…Não que a cultura das empresas onde trabalhei estivesse errada. Mas eu queria focar em transparência e no envolvimento das pessoas. Um livro que marcou esse momento da minha vida foi “Você Está Louco”, do Ricardo Semler. Conheci um modelo diferenciado de gestão.”
  • “Fomos precipitados com o primeiro produto da ContaAzul. Ouvimos alguns clientes achando que aquilo era a verdade absoluta, era o que o mercado precisava. Não fizemos uma pesquisa adequada nem desenvolvimento incremental, perdemos muito tempo fazendo e, quando colocamos à venda, o produto não atendeu ao mercado. ”
  • “O melhor empreendedor pode ser aquele que constrói uma empresa de milhões de dólares sem ter tido um investidor. É possível. Mas nem todo mundo consegue isso. ”
  • “Chegamos ao Vale do Silício com a percepção de que nosso produto já estava pronto. Quando entendemos de verdade o que era design, porém, ficou claro que o que tínhamos não era o suficiente. Em poucas palavras, estava uma droga.”
  • “A ContaAzul ainda está muito próxima dos 100% de crescimento anual, mesmo no sexto ano de operação. Nesse ponto, o meu maior desafio é garantir que a visão da empresa esteja muito bem alinhada com todo o time”

 

Vinicius Roveda, fundador e CEO da ContaAzul
Vinicius Roveda, CEO da ContaAzul

Vinicius Roveda Gonçalves: 
Vinicius é CEO e um dos fundadores da ContaAzul. Formado em Ciência da Computação pela Universidade do Estado de Santa Catarina, o gaúcho criou, junto com seus sócios, um software simples e barato para ajudar pequenos e microempresários na gestão de seus negócios. Num mercado interno dominado por grandes empresas de software – que faturavam com venda de serviços -, ele conseguiu emplacar um produto. E atendeu muito bem à necessidade latente de um segmento em expansão no Brasil.

 

ContaAzul:
A ContaAzul é um sistema de gestão online para pequenos e microempresários. Fundada por Vinícius Roveda Gonçalves, José Sardagna e João Zaratine, existe desde outubro de 2011 e tem sede em Joinville, no estado de Santa Catarina. Foi a primeira startup brasileira a participar do programa de aceleração da norte-americana 500 Startups, no Vale do Silício (EUA), e conseguiu cravar fundo as unhas no mercado brasileiro de softwares de gestão para empresas, tradicionalmente dominado por multinacionais. Em seu sexto ano de operação, a ContaAzul ainda está muito perto dos 100% de crescimento anual. Em um ano, deve alcançar as marcas de 300 funcionários e mais 100 milhões de reais de faturamento. Ela faz parte do grupo de startups brasileiras com mais potencial para um IPO.

  


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