Entrevista com Pablo Cavalcanti, fundador da Inmetrics
Parte 4: Planos para o futuro

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Veja a quarta parte da entrevista com Pablo Cavalcanti. O CEO da Inmetrics conta sobre a sua trajetória como empreendedor:

O que a gente avalia é o seguinte: tudo depende do tamanho do cheque. Se entrar um cara por aquela porta ali me oferecendo 500 milhões de reais pela inmetrics, eu vendo agora e começo outro negócio. Ele vai estar me oferecendo 18 vezes o nosso Ebitda! Enquanto essa pessoa não aparece… Nós vamos fazendo a nossa lição de casa, que é: continuar crescendo e ficando cada vez mais lucrativos, mas eficientes, abocanhando mais participação de mercado, diversificando, inovando e vamos!  Já IPO é um sonho distante. Talvez aconteça mais rápido nas investidas da Yellow (aceleradora que criamos em 2016), porque elas têm características mais exponenciais que as da Inmetrics. Mas tudo é possível. Acho que a saída mais provável é uma (venda) estratégica. Quem sabe… A nossa meta é que o valor de mercado da Inmetrics chegue em 1 bilhão de reais em cinco anos. Temos duas estratégias para chegar lá: uma é a Yellow, de quem a Inmetrics é dona de 70%, e, portanto, no valuation, ela agrega na conta. E a outra é a Inmetrics mesmo, que tem hoje um faturamento anual de 150 milhões de reais.

A linha divisória entre produtos e serviços acabou. Queremos fazer serviços cada vez menos dependentes de pessoas. Cada vez mais automatizados. Tudo o que estamos criando agora tem que ter inteligência artificial. Esse é o nosso futuro. E desde que a gente definiu essa estratégia, nossa margem Ebitda vem crescendo. O indicador que perseguimos é o Ebitda por pessoa. Apesar de não termos uma meta para esse indicador, o plano é que ele cresça sempre. Se em um ano atingiu 15, no ano seguinte, tem que ser 17, no próximo, 22, e por aí vai… A meta é essa. Se a gente fizer isso, “abrimos a boca do jacaré”. E se a gente abrir a boca do jacaré, o resultado vem.

Yellow

A Inmetrics é dona de 70% da Yellow,. A turma lá é bastante agressiva. Nosso esquema é aceleração. Colocamos empresas para funcionar perto da gente, e implementamos nelas tecnologia e gestão. Trouxemos sócios novos e gente muito boa de mercado. Começamos a diversificar, mas sempre com um princípio: aqui, modestamente, a gente se acha bom em “hard tech”. Não somos bons em fazer “frufru”, website, interface e tal; somos bons em fazer motores de alto desempenho, motores transacionais, Inteligência Artificial. Nossa praia é essa, gostamos de coisas pesadas.

O que a gente tenta aportar paras empresas que a gente investe é isso. E tem dado muito certo. A gente pega empresas que têm empreendedores muito bons, ideias muito bacanas, mas têm uma execução muito capenga (tomando como base nosso nível de exigência) na parte técnica. Não quer dizer que os caras estão fazendo um trabalho ruim. Mas a gente gosta da ideia de fazer trabalhos de classe mundial. Todas essas empresas que a gente investiu (são 5 até agora), tiveram um salto qualitativo na parte de tecnologia. Nosso ticket de investimento está na faixa de 1 milhão/2 milhões de reais. É um pouco maior que seed (semente), mas está antes do “series A”. A ideia é ser agressivo, rápido, levar mercado logo, expor os caras a vendas, etc.

8 mensagens importantes para empreendedores

  • “Contrate gente melhor que você”.
  • “Toda vez que consideramos contratar uma pessoa mais cara do que estávamos esperando, nos perguntamos: ela é muito boa? é melhor que a gente? Se a resposta for sim, arriscamos. E como gostamos de arriscar, o caixa da Inmetrics precisa ser forte”.
  • “Coloque as pessoas certas nos lugares certos”.
  • “Venda é o oxigênio da empresa. Preocupe-se primeiro com o oxigênio, porque, sem ele, você morre em segundos”.
  • “Na hora de tomarmos uma decisão difícil dentro da Inmetrics, recorremos aos nossos princípios. Essa é a razão mais importante para tê-los definidos”.
  • “De um lado, a gente tem um conservadorismo danado com dinheiro. De outro, sabemos que não existe empreendimento sem risco. Essa combinação entre conservadorismo com caixa e apetite para risco é meio paradoxal, mas fundamental para o negócio dar certo”.
  • “Considero fundamental reinvestir os lucros na empresa. Tem muita gente que confunde o caixa da empresa com a conta corrente. Isso só pode dar errado. Na pessoa física, eu sou pobre. No meu imposto de renda só tem valor de papel, das ações da empresa. Se você tirar isso, não sobra quase nada. É doloroso, mas é a realidade”.
  • “Outra coisa que colocamos no estatuto de fundação da Inmetrics foi: não trabalho com parente. Amigo pode até trabalhar, desde que a relação seja profissional. Agora, parente é inadmissível”

Pablo Cavalcanti:
A relação de Pablo Cavalcanti com os algoritmos vem de longa data. Apesar de ter ganhado mais intimidade com eles na faculdade de Ciência de Computação, aos 13 já gostava de computadores e queria ser como Bill Gates. Aos 15, já era um “hackerzinho” e ajudava o pai, vendedor, com a contabilidade dos negócios. Seu grupo de trabalho na faculdade foi o mesmo que o ajudou a fundar a Inmetrics, quatro anos depois da formatura. Começaram o negócio com 12,5 mil reais do próprio bolso e não precisaram de grandes investimentos iniciais para fazer a empresa crescer. Só de muito trabalho e horas sem dormir.

 

Inmetrics:
A Inmetrics fez 15 anos em 2017. Hoje, é líder em eficiência para Tecnologia da Informação (TI) na América Latina – além do Brasil, está na Colômbia e no Chile. Nos últimos três anos, cresceu mais ou menos 40% ao ano. Nos primeiros 9 anos de empresa, 85% ao ano. A Inmetrics atende os mais variados segmentos do mercado – de financeiro a varejo -, com uma equipe de mais de mil pessoas. Seu faturamento anual hoje é de 150 milhões de reais.


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